Snooze

SNOOZE é uma banda que dispensa qualquer apresentação. Os caras já estão na ativa há quase vinte anos, possuem 3 discos lançados e várias participações em coletâneas no Brasil e mundo afora. A entrevista que vocês poderão conferir foi feita durante o bate papo informal que do Fabinho Snoozer (Baixista/Vocalista) com a Brechó Discos.

Snooze_Promo

BD – Quando e como surgiu a ideia de montar a SNOOZE?

FS – Meu irmão Rafael e mais uns 3 ou 4 amigos cabeludos começaram a ensaiar lá em casa, eu tinha tipo 13 anos e as brincadeiras evoluíram pra uma banda, primeira experiência de todos ali. Um dos guitarristas hoje em dia é doutor em música, leciona na UnB (Hugo Ribeiro). A banda chamava “Outshine”. Eles me botaram pra cantar, pois o Rafael notou que eu tinha boa afinação, cantava as letras certinhas, era estudante de inglês… E foi assim, com 13 anos, que iniciei, totalmente tímido, mas virei o frontman da banda, isso era tipo 1992… Nesse mesmo ano o baixista desse grupo, o Daniel Garcia, que era irmão do outro guitarrista, Salsicha – amigos de infância de Rafael – começou a tocar na guitarra ou violão os sons que eles (Daniel e Rafael) estavam descobrindo, que eram Jesus & Mary Chain, Pixies, REM, essas coisas. Daí ele pegou o mesmo baixo que usava na Outshine, deixou lá em casa – a ideia era me dar aulas, disse algo do tipo: “vá pegando aí…”, e assim me tornei baixista (nunca tive uma aula com ele, hahaha!). Começamos a ensaiar esses sons, tocávamos muito Ramones e testamos alguns vocalistas, eu não conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo e tava na fase de mudança de voz da puberdade, então, era melhor ficar quieto. Achamos um cara que era mais velho, que teve uma banda que gravou uma fita aqui, mais pros amigos mesmo, o Guilherme. Super talentoso, toca violão muito bem, MPB e tal, mas tinha essa bandinha meio pop, com músicas dele e gostava de pelo menos a maioria das bandas que a gente tava curtindo… Quando o Guilherme entrou, a gente viu que a gente era uma banda ‘de verdade’, pois ele já foi colocando composições, acho que as 04 primeiras músicas do SNOOZE são dele, incluindo Blind Birds, que gravamos na demo tape (já como trio). Aí surgiu a necessidade de ter um nome, não lembro se havia algo provisório, mas escolhemos no velho estilo ‘pega o dicionário, e vai fuçando’, o nome SNOOZE tava naqueles cantos de página que tem nos dicionários pra facilitar a busca, né? E chamou logo atenção de Rafael quando leu a tradução, acho que tava como verbo (“tirar um cochilo”), na hora ele se empolgou e todo mundo curtiu a sonoridade, não houve nem uma segunda opção, então, respondendo sua pergunta: o SNOOZE surgiu da maneira mais espontânea possível, e deve ser por isso que ainda existe. Faz parte da gente mesmo, traduz nosso gosto musical da adolescência à fase de consolidação da personalidade.

BD – Mas o nome, que acho muito legal, aparece também em rádios despertadores, não é?

FS – É, mas a gente nem tinha essa referência, muito tempo depois a gente se ligou e, claro, alguns bons anos mais tarde surgiram outros artistas com esse nome na gringolândia…

BD – Então, nessa brincadeira toda de adolescentes, vocês têm quase 20 anos de banda?

FS – Isso. Em 1993 a brincadeira virou SNOOZE. Nosso primeiro show pra público pagante foi em 1994, por isso demarcamos 2004 como 10 anos, mas, se contar o período pré… Bom, já falei! Hehe!

BD – Naturalmente vocês são da época da fitinha cassete, pegaram e viram a mudança toda, tudo que dizem que “revolucionou” a forma de fazer música. Como você – Fabio Snoozer – encara essa mudança toda, acha que mudou pra melhor, ou preferia a forma velha de fazer e fazer a música rodar?

FS – Bueno! Eu sou definitivamente ‘old school’ nos hábitos, sofro até por ter dificuldade em absorver bandas novas, prefiro sempre explorar e/ ou reouvir a discografia de algum artista do passado, mesmo que ainda em atividade, mas em relação aos formatos, eu ouço muito mp3, mas obviamente prefiro o LP… Cassete eu não tenho saudade, acho o CD-R um ótimo substituto, apesar de ser uma mídia frágil… O mp3 acaba sendo mais prático, apesar da perda sonora.

BD – Nessa ótica sua, o cassete era o CD-r de hoje?

FS – Recentemente, voltei a comprar CD, pois minha vitrola quebrou… Sobre a lógica K7 x CD-r, tem a ver, pois você pode compilar uma discografia de uma banda num CD de dados, certo? Os 90min máximos de uma fitinha agora podem ser horas de uma discografia selecionada ou um CD de áudio que você faz pruma namorada, enfim, eu acho que tem paralelos, sim.

BD – a SNOOZE é uma banda indie, bem conceituada, tanto na sua terra natal, quanto no Brasil, quando pensamos em Indierock, vem logo à mente SNOOZE e uma dezena de outras bandas, você acompanha a cena atualmente? Da época de vocês, lembra de alguma banda q continua acreditando que o rock mudará o mundo?

 

FS – A cena atualmente é bastante fragmentada, não sei se existe mais essa coisa de indie rock, provavelmente não. Da galera das antigas que continua apostando nesse som eu citaria o The Concept (SP), Dagored (CE) que eu acho que existe ainda, mas a maioria das bandas ou acabou ou virou outra coisa, o Messias – brincado de deus (BA) – é para sempre nosso mestre e reza a lenda que a banda ainda volta.

Uma grande influência na formação do SNOOZE foi o fato de começarem a pintar essas bandas brasileiras cantando em inglês e fazendo esse tipo de som, isso impressionou bastante a gente. O “Time Will Burn” do Pin Ups, “You” do Second Come e o primeiro do brincando de deus, “Better when you love (me)”, foram discos importantíssimos, não havia essa repulsa ao cantar em inglês, que depois virou uma obsessão, especialmente dos jornalistas-sem-cérebro… O disco do Raimundos saiu em 1994, foi bem quando a gente tava ‘nascendo’ pro mundo e com o sucesso deles, virou padrão não só ter que cantar em português, mas a coisa da mistura regionalista… Nada contra, gostava e gosto até de coisas como Nação Zumbi, mas me incomoda as cobranças (que hoje são bem menos frequentes) e os questionamentos de por que cantar em inglês quando é óbvio perceber que é a sonoridade do inglês que faz parte da estética musical da banda, enfim…

BD – a SNOOZE possui três discos oficiais não é isso? Várias compilações pelo Brasil e mundo afora, ouvi pelas redes que vocês estão trampando um novo álbum, o que os fãs da banda poderão esperar do próximo disco? Vai ser tipo uma sequência do SNOOZE (2006) com sonoridade mais global, mas focando nas influencias da banda, ou será nos moldes dos dois primeiros, mais cru, mais garageiro?

FS – Olha, essa é uma pergunta difícil… (risos). Digo isso porque com o SNOOZE cada disco é uma formação, a única continuidade que demos foi da fita ao primeiro CD, que foi gravado pelo mesmo trio. Em geral, cada integrante deixa um pouco de sua marca… O último disco é mais diversificado, pois são três compositores pela primeira vez, mas isso faz bastante tempo. Na formação atual, o ritmo de composições diminuiu bastante, o Luiz é um fazedor de riffs compulsivo, porém não chega com nenhuma música pronta… Eu tenho algumas músicas que venho cozinhando desde o período que morei em São Paulo (2004 a 2006), e dessas temos umas 5 já com arranjo de banda, então, assim, o repertório não tem uma cara ainda. São músicas, digamos, menos óbvias em concepção, mas até aí isso não quer dizer nada! A gente quer aproveitar essa fase que voltamos a tocar ao vivo, maturamos essa formação de trio depois de anos como quarteto, então o plano é ir arranjando e em seguida registrando as novas músicas como uma pré-produção, só aí sim vai dar pra saber que cara vai ter…

Sobre EP “EMPTY STAR”

capa SNOOZE_Empty Star

“Empty Star” é uma música dessa nova safra, que partiu dos riffs intermináveis de Luiz, daí eu pus letra e a melodia, e formatamos a canção que foi gravada aproveitando uma sessão de bateria do Rafael pro Ferraro Trio, daí colocamos as cordas na casa do Luiz mesmo, e pra não ficar a música lançada assim, solitariamente, juntamos com uma ideia que data de 2005, quando eu vim pra cá de férias (morava em Sampa) e fizemos uma gravação ao vivo num estúdio, só de covers… Nos anos subsequentes, queríamos lançar dois EPs com esse material, mas a captação foi sofrível e faltava alguém pra mixar a bagunça. Os arquivos em CD-r foram até por correio pra Salvador, quando algum brother se habilitou a mixar, o que acabou não rolando. Rogério BIG mandou de volta pra gente, a essa altura alguns arquivos foram danificados, perdemos parte desse material, e o que ainda prestava Luiz pegou pra si, mixou e adicionou mais guitarras (com qualidade), eu gravei o baixo por cima, e assim aproveitamos – por hora – 2 músicas dessa sessão pra lançar nesse EP, covers do Clash e GBV. A do Guided By Voices na verdade já havíamos mandado pro tributo “Don’t stop now”… Daí tem 2 músicas que são arranjos nossos pra Second Come e Pin Ups (do projeto Gash), a primeira gravamos depois de Empty Star e saiu no tributo da midsummer madness em 2011, e a segunda é a única gravação interestadual da SNOOZE, Marcelo (que gravou o último álbum) ainda morava em Aracaju, mas Clínio (que tocou guitarra entre 2001 e 2005) já havia se mudado pro Rio, e eu tava em SP. Marcelo e Rafael gravaram as bases aqui e me mandaram pra finalizar lá, eu antes tinha mandado a guia com voz e violão pra eles, o arranjo é meu… Daí, gravei baixo e vozes com o Clayton Martins, no estúdio dele, na Mooca. Ele mixou e masterizou, mas o projeto do tributo ao Pin Ups foi engavetado pela Monstro… Eventualmente mandamos essa gravação pruma coletânea virtual do extinto Loaded E-zine.

Por fim, incluímos dois registros ao vivo de músicas inéditas:  a “Nickdrakiana” foi gravada num especial estilo “acústico” da TV pública local, o Luiz era o operador de áudio na época, então ele teve absoluto controle da captação e é um registro com um tecladista que chegou a fazer shows com o SNOOZE, o James, que é maestro e timpanista da orquestra sinfônica do Estado e beatlemaníaco. Ele me ajudou a terminar o arranjo dessa e de outras músicas também. A outra música (“Old Record”) veio da formação de curta duração com o Luiz e o Duardo, ao vivo no Rock Sertão, que acontece todo ano em Nossa Senhora da Glória, em pleno sertão sergipano. Por sorte, um dos produtores do festival é nosso amigo, mora perto da gente e tinha os arquivos da mesa de todo o festival daquele ano, achamos a qualidade Ok e quisemos incluí-la pois é uma música que abandonamos desde que Duardo se mudou pra Salvador. Ainda como bônus, incluímos uma demo bem  primária da faixa título, que é basicamente Luiz e seus riffs intermináveis e eu o perseguindo com um baixo de 5 cordas… Dei o nome de “Humpty Star” pra fazer o link, mas ela acabou saindo sem crédito, mais como uma curiosidade mesmo… A propósito, a “nickdrakiana” também tem título, mas saiu só com o apelido. No disco a ser gravado ela vai se chamar “A skin too few”, que é o nome de um doc sobre o Nick Drake… Então, resumindo, esse EP serve para apresentar uma música inédita da nova formação, gravações ao vivo de outras músicas inéditas, e uma coleção de gravações-tributos e raridades de diferentes épocas, entre 2005 e 2011.

Pra finalizar, recentemente recebemos o convite de participar do tributo ao Pastel De Miolos, e com isso criamos de uma só vez várias coisas bacanas: a oportunidade de gravar as guias de bateria de 2 das músicas novas que já tocamos em shows, o que dá um gás pro processo do quarto disco e, ao mesmo tempo, vamos ter a oportunidade de registrar nesse tributo a parceria com a Karne Krua, que rolou no palco em dezembro e vai ficar pra posteridade com essa rendição de “Ruas”, que é uma música excelente, e estranhamente tem tudo a ver com as duas bandas, mesmo tão distantes esteticamente.

Link para baixar o EP:
http://bit.ly/14nYbPA

Contatos:
https://www.facebook.com/ pages/Snooze/118241484895614
http://www.myspace.com/ snoozetherockgroup
http://www.tramavirtual.com. br/snooze
fabiosnoozer@gmail.com
(79) 8837 0403

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